Desafio de gestão na Empresa Familiar

Empresas familiares exercem papel importante na economia global, e correspondem a cerca de 80% das organizações em todo o mundo. Inúmeras são as histórias de sucesso destas empresas, que tem resistido ao tempo. Porém há um dado tão impactante quanto inequívoco. Segundo pesquisa do Family Business Institute publicada pela Harvard Business Review em abril de 2015, apenas 30% das empresas familiares duram até a segunda geração.

Nesta semana, tive o prazer de participar de um debate intenso promovido pela Família S.A (www.familiasa.net), encabeçado por Thiago Salgado e Josmar Bignotto, sobre os desafios da empresa familiar. É muito oportuno compartilhar as reflexões e minha conclusão sobre o desafio de gestão.

Nos últimos anos, pude vivenciar diversos modelos de gestão familiar, desde os menos maduros até empresas com sólidos instrumentos de Governança e profissionalização. Em maior ou menor grau, alguns dos problemas abaixo surgem como obstáculos ao desenvolvimento de bons modelos de gestão.

• O empresário familiar se sente só, pois alguns de seus gestores muitas vezes buscam apenas minimizar potenciais conflitos. Algumas empresas familiares, mesmo as de grande porte, não possuem um profissional de finanças, tampouco um conselho consultivo, capaz de oferecer feedback franco ao empresário, desafiando-o a elevar o padrão de performance.

• A visão de negócio está apenas na mente do dono, às vezes em ritmo de mudança que não favorece um processo de planejamento compartilhado. Tendo iniciado o negócio sozinho, essa condição pode ter sido útil ao seu rápido crescimento. Mas isso invariavelmente dificulta a profissionalização da empresa e, consequentemente, sufoca o ambiente meritocrático. Também não estimula os sucessores e demais executivos a pensarem estrategicamente.

Em resposta a esses problemas, um número maior de empresas tem aprimorado sua governança, estabelecendo a separação entre a propriedade familiar e a gestão, e colocando em prática iniciativas que garantem mitigar falhas da estratégia e adequado monitoramento do negócio, e favorecendo o encontro de respostas rápidas aos anseios dos dirigentes. As premissas geralmente adotadas para colocar tais práticas em andamento são:

• Elaboração de um protocolo familiar, ou seja, um documento que retrata as regras de convivência entre a família e a empresa, e também seus participantes dirigentes.

• Estabelecimento do conselho de família e consultivo, com presença de profissionais independentes, além de toda a rotina rigorosa de reportes de resultados, análise e aprovação de investimentos, metas estratégicas e orçamentárias, política de endividamento e distribuição de lucros.

Minha opinião é que parte da solução aos problemas decorrentes dos conflitos familiares no negócio envolve também a firmeza de propósito na criação e manutenção de um ambiente de confiança entre os gestores não familiares. Afirmo que um profissional experiente em administração e finanças pode auxiliar a formar, atrair e reter talentos que tornem a sucessão da gestão um obstáculo menor. Tal profissional deve ter capacidade para se fortificar por conta própria; postura independente em favor da empresa, dos resultados e da formação das estratégias; competência para impulsionar as mudanças no negócio e, acima de tudo, zelar sempre pelos valores da família empreendedora.

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