Dinheiro em conta. As empresas de tecnologia contam com isso?

A maneira pela qual as empresas criam e gerenciam suas posições de caixa faz diferença para o valor do negócio. A maioria das grandes empresas com receitas saudáveis mantém relativa alavancagem, ou o volume de dívidas que elas carregam, liberando assim um tremendo valor para seus acionistas, notadamente no que se refere aos benefícios fiscais assim obtidos.

Mas esse tipo de estratégia é apropriada a uma empresa de tecnologia ou de P&D baseada na geração e aplicação de conhecimento? Sabiamente, seus administradores percebem que não. As maiores e mais bem-sucedidas empresas de tecnologia e P&D do mundo mantém, de maneira consistente, posições líquidas significativas de caixa.

Uma estrutura de capital ideal que exige saldos de caixa significativos está em desacordo com os resultados de uma análise tradicional de estrutura de capital. Mas a decisão dessas empresas, de administrar grandes saldos de caixa é um dos fatores-chave para sustentar valor, que são os seus ativos intangíveis. Tais ativos compreendem não somente a qualidade do pipeline de projetos, mas principalmente a capacitação humana e de gestão para engajamento na conclusão daqueles projetos com qualidade.

Ressalte-se que a produtividade dessas empresas depende da manutenção de uma infraestrutura de TI cara, e tais investimentos não são tratados como passivos em uma análise tradicional de estrutura de capital.

A teoria das finanças sustenta que o mercado estará sempre disposto a fornecer fundos para uma boa oportunidade de investimento. Com base nesse raciocínio, as empresas com pipelines promissores devem ser sempre capazes de encontrar financiamento para gestão, pesquisa e desenvolvimento. No entanto, em tempos de necessidade, o financiamento externo pode ser exorbitantemente caro ou simplesmente indisponível, principalmente no atual contexto econômico brasileiro.

Por que? Porque ativos intangíveis dependem exclusivamente da empresa, e são normalmente subestimados devido ao seu risco intrínseco, enquanto o valor dos ativos tangíveis – mesmo aqueles que exigem investimentos consideráveis para serem explorados – geralmente são amplamente reconhecidos por investidores externos. O valor de uma reserva de petróleo, por exemplo, pode ser estimado e divulgado, independentemente da empresa proprietária.

Outra razão pela qual os ativos intangíveis são diferentes dos tangíveis é que o risco da empresa não conseguir honrar compromissos para sua realização não pode ser facilmente protegido. Pergunto: Como prever a perda repentina de capital humano, por exemplo?

Já um orçamento de exploração de uma reserva de petróleo, para nos fixarmos no exemplo, está sujeito ao preço variável de mercado desta commoditie, que pode ser protegido nos mercados financeiros. Isso permitirá à empresa preservar o valor de seus projetos de exploração, mesmo quando as condições dos negócios se deteriorarem. Ainda que decida não proteger seus projetos dessa maneira, a empresa desfrutará de um hedge natural porque o preço do petróleo está altamente correlacionado com os fluxos de caixa.

Em contraste, é improvável que os riscos de uma empresa de tecnologia e de conhecimento aplicado sejam correlacionados com seus fluxos de caixa, e a única maneira de gerenciar esses riscos é garantir que essas empresas sempre tenham em mãos ativos líquidos suficientes – essencialmente, em dinheiro – para cobrir seus passivos.

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