Sua majestade, o Caixa!

Desde o último artigo, participei de discussões com colegas que tem enfrentado batalhas diárias para proteger e aprimorar a posição de caixa em suas empresas, diante de um cenário econômico completamente adverso. Hoje, precisamente, os meios de comunicação debatem sobre o baixo desempenho econômico do primeiro trimestre de 2019. Para alguns, ainda é prematuro falar de recessão. Fato é que expectativas estão sendo frustradas, e os resultados em alguns setores se deterioram gravemente.

Então, como ir além na busca de alternativas para reforçar o caixa das empresas? O repertório está se esgotando, mas ainda temos alternativas.

Enfoque demasiado em Qualidade na Produção

Uma fonte de má gestão do capital de giro está na estrutura de incentivos na produção – essencialmente a mesma história que vimos no lado das vendas no artigo anterior. O pessoal de produção é frequentemente avaliado em métricas de qualidade, como o número de defeitos. Isso é correto, dadas as preocupações sobre os custos de garantia e o impacto que a má reputação e problemas de qualidade podem causar.

Mas apesar do controle de qualidade reduzir custos com perdas, ele tende a desacelerar o ciclo de produção, bloqueando o capital de giro na forma de estoque de produtos em elaboração (WIP).

Qualidade deve ser verdadeiramente percebida pelo cliente. Um amigo empresário recentemente admitiu que seus clientes não vem tendo a “sofisticação” para apreciar o incremental de qualidade incorporada aos seus produtos. Vem notando que tem perdido oportunidades ao tentar convencer os clientes de que a qualidade adicional vale a diferença de preço comparada a de seus concorrentes. O mercado encolheu e está “comprando preço baixo”. Compete a esse empresário reavaliar o ciclo de produção, liberando espaço para entregas mais ágeis sem afetar a percepção de qualidade.

Criando uma cultura de colaboração

Contar com colaboradores em todos os níveis para ajudar com soluções para superar desafios é o que se deve fazer se você busca ter um negócio consistentemente saudável. Porém, cuidado! Motivar gerentes por índices isolados nunca funciona, pois quando os gerentes focam na maximização do desempenho de um indicador específico, eles quase sempre acabam destruindo valor. Tratei disso no artigo anterior.

Muitas empresas de pequeno porte, apesar de possuírem bons instrumentos para a gestão de caixa (mesmo uma simples planilha de fluxo já é melhor que nada), não tem o hábito de gerir saldos. Contam com profissionais inexperientes na área financeira, e terceirizam os serviços contábeis priorizando custo baixo em detrimento de envolvimento com o negócio.

A melhor abordagem é criar indicadores de desempenho consistentes que possam ser confrontados com as demonstrações financeiras. E acima de tudo, fomentar uma cultura em que os gestores de todas as áreas envolvam-se em um diálogo um com o outro, compartilhando uma visão sistêmica e as correlações de cada indicador, priorizando a geração de caixa.

Para saber mais, leia também: Como reforçar o caixa da sua empresaDinheiro em conta. As empresas de tecnologia contam com isso?

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